Um incidente preocupante ocorreu no último sábado (17) no interior de São Paulo, quando um avião monomotor foi atingido por uma linha de pipa, provocando um vazamento de combustível. Durante o voo, que partiu do aeródromo de Atibaia, o piloto Rudolph Ochsendorf encontrou um grande desafio ao perceber que a linha havia cortado a asa da aeronave e danificado o tanque de combustível.
Apesar do susto, Rudolph manteve a calma e conseguiu pousar em segurança em uma pista de um condomínio aeronáutico em Bragança Paulista. Ele relatou que já havia enfrentado situações semelhantes no passado, mas nunca tinha sofrido um dano tão severo. “Na hora eu mantive a calma, percebi que não ia me afetar estruturalmente. O meu problema ali seria perder combustível antes de chegar. Mas, como a gente tem o tanque da asa esquerda, não me preocupei”, explicou o piloto.
Após o pouso, Rudolph encontrou a linha cortante na cabeceira da pista e enviou imagens dos danos ao fabricante da aeronave, que confirmou que a estrutura do avião não havia sido comprometida. Contudo, o conserto deve custar em torno de R$ 35 mil, um valor que certamente não será ignorado por quem vive da aviação.
A gestora de segurança operacional em aviação, Priscila Dower Mendizabal, alertou sobre os riscos que as linhas cortantes representam. Além da questão do vazamento, ela destacou que essas linhas podem atingir componentes essenciais para a segurança do voo, podendo até levar a um acidente. “A linha pode cortar partes do avião que prejudiquem a dinâmica, a sustentação. Isso é muito complicado”, enfatizou.
Priscila também fez um apelo pela necessidade de regulamentações mais rigorosas em relação ao uso de pipas nas proximidades de aeroportos, semelhante ao que já existe para drones. Ela ressaltou que, embora o uso de cerol e linha chilena seja proibido, não há leis específicas que impeçam a soltura de pipas em áreas críticas, o que poderia ajudar a prevenir acidentes como o ocorrido.
A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) também se manifestou, alertando que a prática de soltar pipas perto de aeroportos pode colocar a segurança do transporte aéreo em risco. Os operadores dos terminais têm a responsabilidade de monitorar a situação e agir em caso de emergência.



