Na manhã desta quinta-feira (22), um novo capítulo no caso do prefeito de Caçapava, Yan Lopes (Podemos), foi escrito com a publicação da intimação da Comissão Processante no Diário Oficial do município. O documento, datado de 21 de outubro, estabelece um prazo de cinco dias para que a defesa do gestor apresente suas alegações finais, em um processo que pode culminar na cassação de seu mandato.
A fase de instrução do processo foi oficialmente encerrada, e agora cabe à comissão elaborar um parecer, independentemente da manifestação da defesa. Lopes, em entrevista ao g1, ressaltou que a situação envolve não apenas questões legais, mas também políticas, levantando a dúvida sobre quem realmente se beneficiaria com o aumento da tarifa de ônibus de R$ 4,20 para R$ 6,20. Ele defende que as políticas implementadas por sua gestão foram fundamentais para manter a tarifa em patamais acessíveis.
O processo foi instaurado em 11 de agosto, após a Câmara Municipal acolher uma denúncia contra o prefeito. O foco da investigação é o uso de R$ 2,1 milhões do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito, que, segundo a acusação, foi irregularmente destinado a subsidiar a tarifa de ônibus, contrariando o Código de Trânsito Brasileiro. Yan Lopes, por sua vez, nega qualquer irregularidade, afirmando que os recursos foram corretamente aplicados no transporte público e que sua decisão de utilizar o fundo teve respaldo da Procuradoria Jurídica do município.
No depoimento prestado em 8 de outubro, o prefeito explicou que, ao assumir a Prefeitura em 2025, não havia previsão orçamentária para o subsídio e que sua intervenção foi necessária para evitar um aumento significativo na passagem. A defesa de Lopes também questionou a imparcialidade da presidente da comissão, a vereadora Fran Miranda (PL), tia do prefeito, mas ela garantiu que o julgamento será conduzido por todos os vereadores.
Em uma reviravolta, no dia 7 de outubro, a comissão decidiu anular os depoimentos de testemunhas ouvidas anteriormente, após a defesa alegar cerceamento do direito de defesa. Agora, após a elaboração do parecer final, caberá aos vereadores decidir, em votação, se o prefeito deve ou não perder o cargo. O prazo máximo para a conclusão desse processo é de 90 dias, com término previsto para 11 de novembro. Até lá, Yan Lopes permanece à frente da prefeitura.


