Em meio à campanha do Outubro Rosa, a história de Fabiana Marcondes brilha como um farol de esperança e determinação. Moradora de Tremembé, Fabiana, que já enfrentou um câncer de mama, tem se dedicado a apoiar mulheres que, assim como ela, precisam de força em momentos difíceis. Os dados alarmantes da doença na região são um chamado à ação: em 2025, o Vale do Paraíba registrou 330 mortes por câncer de mama, o maior número desde que o Ministério da Saúde começou a contabilizar os casos, em 1996.
A trajetória de Fabiana começou em 2009, quando, aos 35 anos, sentiu um nódulo doloroso na mama esquerda. Mãe de uma menina pequena, ela se lembrou da importância de não ignorar os sinais do corpo. Mesmo após ser informada de que a dor era algo benigno, insistiu em exames e, com coragem, conseguiu realizar uma biópsia que revelou a presença de um tumor. “Eu não tinha a idade padrão para mamografias e muitos indícios pareciam apontar que não era câncer, mas minha intuição me disse para investigar”, compartilhou.
Após a cirurgia e um árduo tratamento que incluiu quimioterapia e radioterapia, Fabiana encontrou apoio em seu marido e em uma amiga que já havia superado a doença. Essa rede de suporte foi essencial para que ela mantivesse a esperança. “Ela me dizia que estávamos apenas passando por uma turbulência e que a calmaria viria logo”, recorda Fabiana, que se apegou à ideia de um dia ser um exemplo para outras mulheres.
Hoje, Fabiana celebra sua recuperação e transforma sua experiência em ação através do trabalho voluntário na Casa Gesto, em Taubaté. Este espaço, que atende gratuitamente pacientes do SUS, se tornou um porto seguro para quem enfrenta o câncer. “A Casa Gesto é uma rede de apoio que faz toda a diferença. Aqui, os pacientes encontram não apenas tratamento, mas também carinho e compreensão”, enfatiza Fabiana, que organiza eventos beneficentes e coordena desfiles que mostram a força das pacientes.
Recentemente, em um desfile, ela ajudou uma mulher a reencontrar a confiança, mostrando que a luta contra o câncer é também uma história de superação. “Eu disse a ela que não estava lá para mostrar a careca, mas a força de estar de pé e lutando”, conta Fabiana, que carrega consigo a frase que se tornou seu lema: “Eu tive câncer, mas o câncer nunca me teve”.
O médico Flávio Salgado, fundador da Casa Gesto, destaca a importância do suporte emocional durante o tratamento. Ele orienta que os familiares devem ser uma presença acolhedora e compreensiva, sem adicionar pressão à paciente. “É essencial que a mulher saiba que não está sozinha”, conclui.
Para combater os diagnósticos tardios, é fundamental que as mulheres da região estejam atentas aos sinais e busquem exames preventivos. A mamografia é um direito garantido para mulheres a partir dos 40 anos, e qualquer alteração no corpo deve ser investigada com urgência. Fabiana ressalta: “Às vezes, uma semana faz toda a diferença. O medo pode paralisar, mas a vida e a cura são possíveis após o câncer.”



