Em meio a um cenário de relacionamentos em transformação, uma modelo de 30 anos, residente no interior de São Paulo, compartilha sua experiência em uma plataforma de relacionamentos do tipo sugar. Com uma viagem à Itália, um iPhone e dinheiro como alguns dos benefícios recebidos, ela se sente aliviada por ter encontrado uma alternativa mais estável após um relacionamento anterior que a deixou endividada.
Após encerrar uma relação onde bancava tudo sozinha, a jovem decidiu buscar uma conexão mais equilibrada. “Cansada de homens imaturos, vi no aplicativo uma oportunidade de ter um relacionamento mais leve”, declarou, preferindo manter sua identidade em sigilo. Para ela, o conceito de relacionamento sugar é mal compreendido, e a crítica social que recai sobre ele é, segundo suas palavras, uma “ignorância”.
Conforme a modelo, a intimidade física em seus encontros nunca foi tratada como obrigação. “O sexo nunca foi um pré-requisito”, afirmou, ressaltando que o que mais importa é a conexão e a atração mútua. Além disso, ela adota precauções em seus encontros, como escolher sempre lugares públicos e compartilhar sua localização com uma amiga de confiança.
As cidades de São José dos Campos e Taubaté, onde a modelo reside, têm visto um crescimento no número de usuários dessas plataformas, com mais de 115 mil cadastrados. Os dados indicam que São José dos Campos abriga 80.007 perfis, enquanto Taubaté conta com 35.523. Esses números refletem uma busca por conexões que muitas vezes envolvem benefícios financeiros e experiências compartilhadas.
A psicóloga Renata Gonçalves analisa esse fenômeno e destaca que, apesar das controvérsias, as relações sugar podem oferecer uma forma de previsibilidade e segurança. “O ‘contrato claro’ traz um entendimento mútuo sobre o que se espera de cada um”, explica. No entanto, ela alerta para os riscos emocionais que podem surgir, especialmente se um dos parceiros desenvolver sentimentos mais profundos ao longo do tempo.
No fim das contas, a discussão sobre relacionamentos sugar traz à tona a necessidade de se repensar as dinâmicas de poder e afeto nas relações contemporâneas. O importante, segundo a especialista, é que haja respeito, liberdade e diálogo entre os envolvidos, independentemente da forma que o amor possa assumir.



