No Jardim Anhembi, em São José dos Campos, uma iniciativa carinhosa tem chamado a atenção de quem passa pela calçada: placas alertando para a presença de “gatos comunitários”. Esses felinos, que vivem livres pelo bairro, encontram abrigo em casinhas construídas nas árvores, onde podem descansar e se alimentar com a ajuda de uma moradora dedicada.
Isabel Augusto de Oliveira, a responsável por cuidar dos 21 gatos que habitam o espaço, começou seu trabalho após descobrir uma colônia de mais de 50 gatos abandonados em uma área próxima a um brejo. Desde então, ela se uniu a uma amiga para castrar os animais e garantir que eles tenham alimentação adequada. “Se ele achar um lugar que ele possa comer e ter a liberdade dele, é ali que ele vai ficar”, explica Isabel.
O local conta com seis câmeras de segurança que ajudam a monitorar os gatos e inibir o abandono. Isabel observa que, desde a instalação das câmeras, o número de abandons diminuiu consideravelmente. “Já faz tempo que não ocorre abandono, por causa das câmeras”, afirma. Além disso, a segurança dos felinos é uma preocupação constante, especialmente em uma via de movimento intenso nas primeiras horas do dia.
A rotina de cuidados de Isabel começa bem cedo, por volta das 4h30. Ela verifica as câmeras, confere se todos os gatos estão presentes, alimenta-os e realiza a limpeza do espaço. “Você tem que ter a higiene, né? Você tem que ter o cuidado com cada um”, destaca. A dedicação dela varia de quatro a seis horas diárias, e Isabel conhece cada gato pelo nome, como Chico, Floquinho e Judite.
O custo da alimentação é significativo, com cerca de 60 a 65 quilos de ração consumidos mensalmente, além de sachês. Embora receba algumas doações, Isabel afirma que a maior parte da responsabilidade pela manutenção do espaço fica com ela. “Eu não espero chegar a doação”, diz, enquanto mantém um estoque de medicamentos e itens de primeiros socorros para os felinos.
A história dos gatinhos comunitários ganhou ainda mais visibilidade após um vídeo viral produzido por uma influenciadora local, conhecida como “Kah”. Ela compartilha sua rotina e busca histórias de pessoas que fazem a diferença na comunidade. Assim, a iniciativa de Isabel não apenas protege os gatos, mas também inspira outros a cuidar da fauna urbana.


